No Dia do Congregacionalismo Brasileiro, recordamos com gratidão a vida e o legado de Robert Reid Kalley e Sarah Poulton Kalley, cuja dedicação ao Evangelho marcou o início da história do Congregacionalismo em nosso país.
Movidos pelo chamado de Deus, o casal serviu com fidelidade, utilizando seus dons para anunciar Cristo, ensinar as Escrituras e fortalecer a Igreja. O fruto desse trabalho continua inspirando gerações a viverem comprometidas com a missão.
Hoje, esse legado permanece vivo por meio de homens e mulheres que seguem respondendo ao chamado de Deus para anunciar o Evangelho entre os povos.
Que o exemplo de Robert e Sarah Kalley continue despertando a Igreja para orar, enviar, contribuir e participar da missão de Deus.
Robert e Sarah Kalley
Em 1855, o médico e missionário Robert Reid Kalley e sua esposa, Sarah Poulton Kalley, chegaram ao Brasil movidos pelo desejo de compartilhar o Evangelho e fazer discípulos.
Cada um servindo com seus dons
Enquanto Robert dedicava-se à pregação, ao discipulado e à organização das igrejas, Sarah contribuiu com o ensino, a música cristã, a evangelização e a formação espiritual dos novos convertidos.
Um legado que permanece
O trabalho do casal lançou as bases do Congregacionalismo brasileiro e inspirou gerações de cristãos a viverem comprometidos com a Palavra de Deus e com a missão.
A missão continua
Assim como Robert e Sarah Kalley responderam ao chamado para servir, o DOM – Agência Missionária da ALIANÇA continua enviando e apoiando missionários para que o Evangelho alcance novos povos e nações.
Que o exemplo desse casal missionário inspire a Igreja a orar, enviar, contribuir e viver a missão de Deus.
Fonte: @domagenciamissionaria
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Antes da missão no Brasil
Antes de chegar ao Brasil, Robert Reid Kalley já possuía experiência missionária. Nascido na Escócia, em 1809, formou-se em medicina e posteriormente dedicou parte de sua vida à evangelização. Um dos capítulos mais importantes de sua trajetória ocorreu na Ilha da Madeira, em Portugal, onde desenvolveu atividades médicas, educacionais e evangelísticas.
Foi somente depois desse período que sua história se uniu à de Sarah Poulton Wilson, nascida em Nottingham, Inglaterra, em 1825. Os dois se casaram em 1852. Sarah possuía boa formação intelectual e musical e teria participação fundamental nos trabalhos que posteriormente desenvolveriam juntos.
A Escola Dominical em Petrópolis
Após chegarem ao Brasil, Robert e Sarah estabeleceram-se em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Em 19 de agosto de 1855, iniciaram uma classe de Escola Dominical em sua residência.
A data adquiriu grande importância para a tradição congregacional e é justamente por essa razão que 19 de agosto é celebrado como o Dia do Congregacionalismo Brasileiro.
O trabalho desenvolvido a partir daquele pequeno começo não permaneceu restrito a Petrópolis. A atuação missionária dos Kalley avançaria e contribuiria para o estabelecimento de comunidades protestantes no país.
A Igreja Evangélica Fluminense
Um dos acontecimentos mais importantes dessa trajetória ocorreu em 11 de julho de 1858, quando foi organizada, no Rio de Janeiro, a Igreja Evangélica Fluminense.
A igreja tornou-se um importante marco do protestantismo brasileiro e da história que posteriormente estaria associada ao Congregacionalismo no país.
O trabalho também alcançou outras regiões. Em Pernambuco, por exemplo, a expansão dessa obra contribuiria para o estabelecimento da histórica Igreja Evangélica Pernambucana.
Os desafios de ser protestante no Brasil do século XIX
Para compreender a importância desse trabalho, também é necessário considerar o Brasil daquela época.
O país ainda vivia sob o Império, e o catolicismo romano era a religião oficial do Estado. Embora outras religiões pudessem existir sob determinadas condições, os protestantes enfrentavam limitações e dificuldades relacionadas inclusive a questões civis.
Robert Kalley acabou se envolvendo diretamente nas discussões sobre os direitos dos protestantes no país. Questões relacionadas a casamento, sepultamento, culto e liberdade religiosa faziam parte das preocupações enfrentadas pelos primeiros grupos protestantes.
Assim, sua atuação no Brasil não se limitou à pregação. Ela também esteve inserida em um período importante da consolidação da liberdade religiosa no país.
A importância de Sarah Kalley
Sarah merece atenção especial quando se estuda a história do casal.
Além de participar do ensino e da evangelização, ela teve forte atuação na área musical. Seu nome está diretamente relacionado a “Salmos e Hinos”, uma das mais importantes coleções de cânticos da história do protestantismo brasileiro.
A música era uma ferramenta de culto, ensino e evangelização. Dessa maneira, o trabalho de Sarah ajudou a fornecer às comunidades protestantes cânticos em língua portuguesa que poderiam ser utilizados nas reuniões e na formação dos cristãos.
Pesquisas históricas mais recentes também têm contribuído para dar maior visibilidade à participação de Sarah, mostrando que sua atuação deve ser compreendida para além da simples condição de esposa de Robert Kalley.
As cartas deixadas pelo casal
Outro aspecto interessante da história dos Kalley é a documentação que deixaram.
Cartas escritas pelo casal durante o século XIX foram preservadas e passaram a ser estudadas inclusive no ambiente acadêmico. Parte desse material encontra-se relacionada ao acervo histórico da Igreja Evangélica Fluminense.
Esses documentos são importantes não apenas para pesquisadores da história do protestantismo. As correspondências dos Kalley também são utilizadas em estudos sobre a história da língua portuguesa, permitindo conhecer características da escrita e da comunicação daquele período.
Isso demonstra como o legado documental do casal ultrapassou os limites da história eclesiástica.
Os últimos anos
Depois de mais de duas décadas de trabalho no Brasil, Robert e Sarah deixaram o país em 1876 e retornaram à Europa.
Robert Reid Kalley morreu em 17 de janeiro de 1888. Sarah viveu por quase vinte anos após a morte do marido, falecendo em 8 de agosto de 1907, em Edimburgo, na Escócia.
A história iniciada por eles, entretanto, continuou através das comunidades, líderes e instituições que surgiram ou foram influenciadas pelo trabalho desenvolvido no Brasil.
Hoje, conhecer os detalhes dessa trajetória permite compreender melhor não apenas as origens do Congregacionalismo brasileiro, mas também uma parte importante da própria história do protestantismo no país.
